sábado, 31 de janeiro de 2009

Uma vez

Uma vez,
perdido na almofada dos sonhos
encontrei um mar azul.
Deitei a barcaça às águas e arrastado
pelas nuvens saí do cais.
Falavam as gaivotas com as velas e os
peixes com o casco.
Nada ouvia. Tudo procurava.

Ventos adiante,
encontrei sombras tumultuosas,
raios imensos,
ondas terríveis.

Noites a frio e dias a quente,
assim voguei por esses caminhos.

Os peixes, esses, seguiam-me ora de
perto
ora de longe,
ora de mais perto ainda,
mas nada diziam. Apenas afagavam o casco.

As nuvens, essas, apareciam e
desapareciam
embaladas pelo vento,
tombadas pela viagem.

Das gaivotas, apenas uma, me seguia.
Bem lá no cimo, junto ao mastro,
convocava-me para uma conversa.

Via-a fugir…
Não!…

Senti a sua asa na minha face
e o seu bico na palma da minha mão.

Acordei…

Estavas ao meu lado…

1 comentário:

Anónimo disse...

Lindo! Escreves mesmo muito bem, sabias?!

Se me sair o euromilhões financio-te um livro de poesia! ;)

P.