quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Doce no tempo

Vi partir a tua imagem por entre os vidros mágicos,
de uma porta fechada a mil chaves.
Com o calor a aflorar-me os olhos e as
lágrimas, o coração, gravei a fogo
uma única palavra: esperança...
de nunca ver cair estrelas entre o areal do
pensamento.

Mil castelos, algumas canseiras
mil loucuras, algumas tristezas...
O teu cheiro intenso, abafou-me numa mistura
de rosas com lagos sedentos
de não partires como o fizeste.

A minha dor é sufocante,
- atroz!

Malditos sejam todos os pássaros que esvoaçam
com a intriga presa nas garras.
Dores rasgadas, saltam-me à cabeça
desprovida de razão.
Aqui estou, jóia estimada!

Rasgaste-te ao vento, com olhos de névoa.
Desdobraste-te em milhares de papéis
qual deles o mais bonito.

Lentamente,
entraste numa carruagem que eu não queria.
Depois, partiste em direcção ao
mundo julgado agradável.
Eu,
ali sozinho, chorei baixinho a
dureza granítica do
afastamento.

Que noite feia, a minha.
Horas e horas, fiquei sentado
na escada que tão bem conheço. A primazia
do primeiro beijo! A sensação vertiginosa do desejo
metamorfoseado em nevoeiros de silêncio.

Sei que partiste.
Continuar ali, é o meu lugar,
cara de mil amores.

As marés que nos impedem de chegar
vão mais tarde ajudar-nos a alcançar
a perdição do nosso arco-íris.
Acordei na tua cama.
Estiquei a mão ao de leve, qual
abraço sentido - nesses olhos lindos!

Procurei-te intensamente como o abraço!
Parti o vidro da porta.
Quebrei o carril da tua ida.
Compus a ousadia.

Estavas para lá da Lua,
além da estrela mais distante,
perto de tudo o que é longe.
Estás agora...
doce no tempo.

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